Sincronicidade é o que importa

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Egrégora - AriBarbosa

“O segredo da existência humana reside não só em viver, mas também em saber para que se vive”

— Fiódor Dostoiévski.

Relendo algumas mensagens no grupo do IEEA no WhatsApp, fiquei bastante impressionado com a dedicação que alguns irmãos de lá deram ao tema da sincronicidade. É raro vermos considerações minimamente construtivas sobre o tema, longe do deboche ou do escárnio ignorante. Em vista disso, eu quis contribuir nesse sentido com mais alguma informação, das ditas malucas à primeira vista que aparecem por lá, e logo propus aos irmãos que, se me permitissem alguma consideração mais aprofundada sobre o assunto, aproveitando a “sincronicidade de pensamentos” que percebi no grupo, produziria esse artigo.

Uma dedicada consideração para com os eventos síncronos do cotidiano me parecia ser de fato a porta de entrada para uma linha de entendimento mais ampla sobre as coisas vida, e que realmente seria a única coisa que importa deveras a ser considerada, mesmo que essa prática ainda não tenha uma palavra que a defina ou a resuma, por enquanto podemos chamar carinhosamente de “A Experiência Síncrona do Existir”.

Explico. A dedicada vivência das questões da sincronicidade (notem que escrevi vivenciar e não analisar ou estudar) seria o primeiro e único passo que realmente importa para encontrarmos uma saída definitiva do emaranhado existencial onde nos metemos, num passado “quântico” tão recente ou antigo quanto queiramos aceitar. Tudo o mais que o conhecimento humano desenvolveu e ainda desenvolverá, com base apenas na intelectualidade de observação, trará resultados modestos e simplórios dessa pretensa compreensão maior, estando sempre dois passos atrás do esclarecimento efetivo, por persistirmos em apenas avaliarmos e estudarmos aquilo que ainda precisa ser sentido e experienciado.

O que se descortinou até agora, com as “vivências da sincronicidade” creditadas a grandes expoentes da vanguarda esotérica, aponta para hipóteses quânticas que fazem a palavra “paradoxo” precisar de novos significados. Já há algum tempo esses Magos (ou místicos, como queiram chamar) que no passado formaram as bases da atual Escola de Mistérios que estamos soerguendo novamente no plano material, passaram a dedicar cada vez menos atenção aos métodos cartesianos de aprendizado da realidade, em contraponto ao uso de ferramentas amplamente descartadas pela academia científica, como a imaginação e a criatividade em geral calcadas na filosofia.

Justamente por terem encontrado na sincronicidade os portais para uma nova linha de compreensão da existência, amplamente mais interessante e profícua do que qualquer dos mais avançados postulados científicos que foram liberados ao conhecimento público na atualidade (sim, há muito conhecimento humano “terreno” velado e restrito para poucos), tais aventureiros quânticos têm obtido maiores e melhores métodos no sentido de descortinar respostas às grandes questões existenciais: quem somos, de onde viemos, para onde vamos, etc. O que chamou e ainda chama muito a atenção desses metamísticos que “estudam” a existência, a partir de pitadas da sincronicidade observável, seria justamente a conclusão de que o fato de estudar, considerar, analisar, teorizar, ou qualquer outro verbo de sintaxe com viés cognitivo, não seriam muito apropriados no sentido de explicar sobre “como entender a existência”, se não literalmente, vivenciando-a.

Dessa forma, antes mesmo de apresentar essa tão inovadora “maneira” de aprender sobre a existência que aqui proponho, é preciso primeiro compreender que esse “estudo” só efetiva-se totalmente, se “vivenciado” com pouca ou nenhuma consideração intelectualizada, passando longe do crivo do escrutínio lógico, o que convenhamos, ainda é muito difícil para a maioria de nós, particularmente os que se apoiam na razão cartesiana para a comprovação daquilo que é e do que não é, ou seja, ciência euclidiana caduca sem quaisquer sabores ou temperos quânticos. Parece, ao que essas práticas indicam, que o esforço cognitivo para tentar compreender as sutilezas da existência, puramente através da racionalidade matemática, não alcançaria as “camadas” superiores onde se assentam as respostas para a existência, do tudo e do todo.

Assim, o transcendente da existência só poderia ser alcançado pela “experiência vivida” — perdão pelo pleonasmo — e não pela constatação racionalizada. De fato, o caminho para esse entendimento maior estaria mais na razoabilidade proposta pela imaginação operativa do que em respostas da incongruência cientificista. A sincronicidade dos acontecimentos, portanto, estaria por trás de uma espantosa constatação de que haveria uma “multiplicidade de existências”, onde muito além da nossa atual consciência percebida, existiriam outros “eus” nossos que estariam em oitavas superiores de realidade, observando os níveis das experiências que “vivemos” em outras expressões dessa consciência maior.

Assim, estariam bastante corretas as especulações sobre a existência de um “eu nosso superior”, e mais do que isso, esse nível maior de consciência “viveria” outras dinâmicas paralelas e em outras realidades. As existências seriam, portanto, palcos da vida onde cada “avatar” experiencia um determinado “script” que optou por teatralizar, como forma de viver uma experiência para aquele que entendemos como o Absoluto, o Incognoscível, o Pai/Mãe Amantíssimo, ou qualquer outro epíteto que queiramos dar para aquilo que esses místicos preferem chamar de “A Fonte Que Tudo É”.

Este campo metaquântico (aqui peço aos irmãos para apenas considerarem como uma possibilidade) é a porta pela qual fundamento a proposta de uma nova Magia vivida e redentora para com as nossas aflições imediatas, alterando as realidades desinteressantes da vida em que vivemos, ao usar para isso nossa própria determinação subjetiva.

Assim como ocorre com nossas leis de trânsito, os pressupostos cósmicos que vão além desse universo parecem permitir que apenas aquelas consciências mais maduras possam ter o “direito e dever” de dirigir, conduzindo suas vidas por caminhos co-criadores. Usando desta mesma metáfora, as sincronicidades nesse plano da vida seriam a sinalização das vias por onde caminhamos, que gratuitamente nos orientaria em momentos críticos para prestarmos melhor atenção, se o sentido que estamos tomando corresponde ao nosso destino prévio e “mal e porcamente” projetado. A existência na vida teria então de tudo um pouco: semáforos para prudência com o direito alheio, placas de travessias nos cruzamentos da vida, barreiras que impõem limites ou orientações, e por aí vai. Tudo na forma de aparições 11:11, chamadas de telefone concomitantes, simbologias repetidas, etc.

Em tempo: apesar de parecer bastante abstrata esta mecânica subjetiva que proponho, não é filosófica, e sim operativa. A filosofia, nesse contexto, seria o oxigênio, que enquanto comburente, viabilizaria a combustão criativa de uma nova arte que emerge esculpindo a realidade com formas bem mais belas, boas e verdadeiras. A energia resultante disso, enquanto produto dessa equação, seria a própria alteração da realidade percebida, que é o propósito maior do motor chamado Magia.

A sincronicidade seria, portanto, a fechadura dessa porta por onde uma réstia de luz verte diariamente para nos indicar os caminhos pelos quais poderíamos sair dessa matriz equivocada, em que coletivamente mergulhamos em um verdadeiro pesadelo dual. A correta observância das sincronicidades da vida, somada ao exercício imaginativo de alteração das realidades desinteressantes, parece ser a prática e o prumo de um novo mundo repleto de oportunidades mais interessantes do que a dicotomia de dualidade pouco pensada, proposta pelo Demiurgo adoentado desse universo.

Dia virá no qual poderemos absorver em nós mesmos essa anômala dualidade, ao dizer em um só coro para toda esta aberração existencial que nunca deveria ter existido: você não existe, você não existe, você não existe! Enquanto isso, façamos a necessária profilaxia da realidade, alterando na medida do possível com a Magia, toda a feiura, maldade e mentira que se impregnam nesse universo.

Espero sinceramente, que assim seja e assim será.

…

Leitura adicional recomendada:


The Synchronicity Key
The Hidden Intelligence Guiding the Universe and You
(Edição Inglês) – David Wilcock

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