Essa tal de Magia do Amor

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Egrégora - AriBarbosa

Realmente é impressionante como tantas pessoas procuram ativar em suas vidas a Magia agregadora do amor…

Não que eu atenda assim tanta gente que me procure para isso, mas “por isso”. Muitos pretensos “deuses e deusas” são ainda bem ariscos para com as necessidades tão humanas de equilíbrio nesse campo da vida e infelizmente parece que, salvo exceções, apenas Magos e putas são os únicos que se arriscam no cotidiano para equilibrar esse mister das almas, o que é uma pena…

O que sempre chama atenção é o porquê de tantas pessoas se sentirem assim tão desequilibradas nesse sentido na vida e como essa “energia” parece ser tão escassamente distribuída. Ao contrário do que ocorre com o bom senso, esse generoso que todos se arvoram por lhe ter em excesso, já que nunca solicitam por mais. Sim, percentualmente a maioria das Magias que as pessoas me pedem para ativar nas suas vidas estão associadas, de uma forma direta ou indireta, as tão mal faladas e incompreendidas Magias do Amor,.

De tanto me pedirem isso e de tão mal compreendido isso é, optei por escrever um texto em que não me pese a pretensão de tentar explicar o inexplicável do que seja o amor, mas que se apresente como um convite para que por alguns instantes nos debrucemos sobre essa questão tão latente e ainda absolutamente mal resolvida nos dias de hoje: o porquê de tantos e tantas enxergarem no caminho da magia a única solução para as angústias e anseios no campo do amor. Parece-me muito apropriada essa reflexão e valeria a pena uma dedicada atenção para com essa mazela que, a meu juízo, é infinitamente maior do que a falácia pandêmica em que vivemos nesses dias de “engodo vírus”, momento em que escrevo esse artigo.

De uma forma ou de outra, compreendemos muito mal essa extraordinária energia emanada para bem além desta criação indevida, e que tem como uma das suas principais características justamente sua essência agregadora, seja por suas outras qualidades cativantes, encantadoras, envolventes, etc., — entendedores entenderão — seja por sua principal característica: ser avassaladora por natureza onde quer que pouse.

Por vezes penso mesmo que seja por essa última qualidade que tantos e tantas sintam sua falta, de vitalidade francamente arrebatadora, que faz perder o chão e as estribeiras num confuso e mal explicado balé de emoções que arrebatam os sentidos e faz com que muitos, talvez todos, dediquem cada vez mais esforços nas “mandrakarias” do amor vil, para viver o gozo dessa emoção a qualquer custo. Sim, as ondas emanadas nas Magias do amor também podem vibrar as vicissitudes da imprudência, da inquietude, da paixão desenfreada, desajustando mais as coisas da vida ainda que inadvertidamente.

Apesar disso e talvez por tudo isso, as pessoas me procurem para ajudá-las como se eu pudesse ajudá-las nesse sentido. Como um dos diletos “advogados do diabo” nessa criação indevida, o que conseguimos fazer é apenas abrir processos cósmicos para defender as causas pessoais de quem as ache justas; denunciar a falta de complacência do universo na distribuição generosa dessa energia sobre quem dela necessita; arvorar-me, mesmo que por vezes, a ativar a suposta e lendária justiça divina (como também suas hostes); denunciar o “esquecimento involuntário” que deveria ser francamente emanado pelo suposto amor divino filial a todos os que, paradoxalmente, esses seres dizem amar; hidratar todos os que, na aridez de suas emoções, não compreendem porque um Deus tão maravilhoso e amoroso poderia esquecer-se de algo tão óbvio, necessário e dignificante para a vida de qualquer alma.

Questões, questões, questões…

Teodiceias a parte, infelizmente nem sempre essas potências divinizadas escutam a legitimidade dos apelos humanos, até mesmo porque muitas são surdas às coisas da natureza humana, ainda que essas consciências sejam as que engendraram as humanidades das quais tão pouco compreendem, apesar de ainda delas se fartarem todos os dias. O paradoxo, como podemos enxergar, é chocante e parece ser mesmo uma constante em toda a nossa criação enlouquecida.

O fato é que, de vibração em vibração, de ativação em ativação, de determinação em determinação, conseguimos por vezes sensibilizar as telas vibratórias do amor pela Magia, despejando suas ondas agregadoras sobre a vida daqueles sedentos, para que assim possam isso vivenciar plenamente. Por alguma razão cósmica, o que deveria ser um inquestionável direito divino ficou esquecido por alguns deuses e deusas.

Como assim se esquecem? Sim, parece que, como muitas outras coisas da vida, as supostas divindades convenientemente também se esquecem disso, ou teimam em não se lembrar. Olvidam que, por decência existencial, teriam que embalar o sono daqueles que um dia pariram nos fornos de suas conveniências, e que hoje ainda detêm responsabilidades profundas sobre suas crias. E heresia das heresias, aparentemente sim, somos deixados ao léu de nossas próprias mazelas humanas mal concebidas e engendradas por quem um dia apenas de nós queria se fartar.

Não quero que aceite, caro(a) leitor(a), essas ousadas afirmações como verdades, muito menos absolutas, mas seria importante que passasse a considerar o quanto é premente essa reflexão nesses dias de final de ciclo, para que essas e outras desconfortantes evidências mal compreendidas possam ser pacificadas e minimamente acomodadas em nosso íntimo. Em última análise, ter o dito “amor” na vida de muitas pessoas passa forçosamente por essa desconfortável consideração. Assim, é preciso refletir sobre o porquê de ainda precisarmos a todo instante pedir por aquilo que nos deveria ser de direito, e aqui coloco todo o destaque para as coisas do amor, esse lindo incompreendido que tantos dele se ressentem e por ele respiram: amor, o tão mal distribuído amor!

Espero que um dia todos possamos ao menos compreender, ou quem sabe até mesmo aceitar a razão de tão profundas deficiências nesse campo da vida, e que possamos ativá-lo plenamente por nós mesmos.

Ninguém jamais deveria ter falta de amor.

Sonegar a emanação do amor por quem quer que seja é sadismo cósmico abjeto, covarde e inumano. O objetivo desse texto não é fazer juízos rasos de quem disso tenha culpa, mas dia virá em que todo aquele que pode emanar ondas agregadoras do amor e não o faz, receberá de volta a aridez e descaso dos próprios afetos, para que possa entender finalmente o que é padecer no paraíso morrendo de sede, no oásis do amor alheio egoisticamente sonegado.

Antes que me esqueça, é preciso expressar ainda que não defendo as peraltices das malfadas “magias de amarração”, essas tresloucadas panfletagens mal e porcamente fixadas nos postes da vida. Conhece o tipo? Chamo de “artes das mães do poste” que acabaram por se encantar pelo próprio encanto, vendendo vaticínios na letra grande: “Trago seu homem para casa amarrado, arrastado, enforcado… mas que eu trago, eu trago! ” Quanta infelicidade, iniquidade e irresponsabilidade… Mal sabem o que manifestam e, principalmente, a quem evocam. Um dia também terão de conviver com a aridez de seus afetos, pois quem com ferro fere…

As (quase) compreensíveis bizarrices das amarrações do amor.

Magas e Magos são por excelência dados a bravatas por suas supostas audiências com deus, ou melhor, deuses. Em nosso ofício, os que assim o podem acabam tendo que evocar de forma recorrente mistérios divinos, exigindo desses, audiências liminares com as pretensas deidades que emanariam as ondas do amor para a realização de graças, tanto mais até mesmo que muito sacerdote por aí. Disso, aliás, pelo menos de minha parte não carrego orgulho, encaro apenas como ossos do ofício. Assim, aqui e ali surgem excessos, mas novamente tudo bastante natural, pois felizmente a Magia ainda é ativada, não regulamentada.

No fundo, o que fazemos como Magos é advogar causas buscando alterar realidades desajustadas ou dissociadas do que seja bom, belo e verdadeiro. Advogar, inclusive, essa deficiência do amor tão injustamente impregnada na vida de tantos é, portanto, uma arte nobre que precisa antes de mais nada de muita ousadia para ser realizada.

Quem foi temperar o choro e acabou salgando o pranto?

Como diria o saudoso poeta do cordel Leandro de Barros:

“Por que uns são felizes e outros sofrem tanto? Ora, se nascemos todos do mesmo jeito e vivemos todos no mesmo canto, quem, portanto foi temperar o choro e acabou salgando o pranto…”

Da próxima vez que alguém maldizer o lenitivo oferecido pelas Magias do Amor, que lave antes a boca com o antisséptico bucal do respeito. Provavelmente o azedume do fígado já cheire mal, justamente pela falta que faz as energias agregadoras desse mesmo amor nessa pessoa.

Dia virá em que não haverá mais a necessidade de recorrer ao ridículo que é ativar o equilíbrio das coisas na vida em tudo e todos. Enquanto isso, bem-aventurados àqueles que assim procedem e se socorrem desse expediente, como um salutar lenitivo para as agruras da vida.

Tão bom quanto morrer de amor é por ele também continuar vivendo…

…

Que assim seja e assim será! 🦋

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