Saudações,
Trago a vocês um artigo muito especial sobre a jornada de iniciação, escrito por alguém que caminha humildemente nesse caminho e compartilha insights valiosos sobre o poder do silêncio. O texto reflete a profundidade e a importância do calar-se, não apenas como uma prática, mas como uma ferramenta de integração e reverência ao que vivenciamos no momento iniciático. À medida que leem, convido cada um a mergulhar nas palavras e permitir que elas ressoem com seu próprio caminho de autoconhecimento. Que este artigo possa inspirá-los a refletir sobre suas próprias jornadas e encontrar força e significado no silêncio. Boa leitura e que este conteúdo seja uma tocha acesa em suas buscas!”
Ari
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A Iniciação e a Importância do Calar-ser
Agradeço, inicialmente, a quem se propõe ler umas palavras soltas aqui, por alguém que é um simples aprendiz de magia. Faço-o mais por questões terapêuticas que egóicas. Dói-me guardar certas percepções que, talvez possam ter algum tipo de utilidade para outro neófito, como eu. Ou talvez seja uma forma de dar vazão à minha mente indisciplinada e intransigente. Suponho que seja mais este o caso.
Há certas situações em nossa vida que aparentam ser guiadas para uma série de sincronicidades e supostas coincidências que nos conduzem a um determinado lugar. Há aquela aula, aquele curso, em que o professor está especialmente inspirado e simplesmente despeja, aos borbotões, ensinamentos que deveriam ser provisoriamente anotados em nossa alma, para depois, somente depois, serem digeridos sem pressa. Ah, como queria ter silenciado e direcionado minha atenção tão somente ao que era compartilhado, sem perder uma gota sequer do que foi dito (e não dito, friso sempre) naquela cerimônia de iniciação. Mas não, minha ansiedade saiu vitoriosa e estava sempre pensando na próxima pergunta, afinal, o professor estava tão próximo e disponível…. o processo mental comandava insanamente, com questionamentos que, agora vejo, poderiam ser deixados para outra ocasião (e que provavelmente não seriam posteriormente feitos). Como queria voltar no tempo e ter ficado bem quieto, só sentindo as mudanças de vibração, o meu corpo sutilmente apontando para a beleza do que realmente estava ocorrendo ali.
Existe algo místico na simples menção da palavra “iniciação”, cujo conceito nunca entendi muito bem. Quem seria um iniciado? Seriam pessoas dotadas de alguma habilidade ou sapiência muito especial, reservadas a poucos de nós? Sempre envoltas num clima de mistério, enevoado pelo perfume do que é oculto e com sabor de alguma iguaria exótica e não acessível aos paladares mais comuns?
Sinceramente? Penso até que realmente deveria ser. Mas, pela premência dos tempos em que vivemos, a qualquer ser humano “comum”, minimamente consciente e apto ao entendimento de conhecimentos não revelados à maioria, é ofertada a possibilidade de subir alguns degraus( e graus) na lapidação de sua evolução e melhoramento pessoal.
E assim, fui iniciado nos Mistérios Divinos. Definitivamente, de especial não tenho nada. Talvez, boa vontade em aprender. Com relação aos impactos pessoais da cerimônia, não são compartilháveis. É só o que quero, devo e posso falar. Só posso dizer que foi arrebatador e que, definitivamente, sou outra pessoa.
E por falar em misticismo (na boa acepção do termo), vem-me à mente os 4 verbos iniciáticos “SABER-QUERER-OUSAR-CALAR”, um dos axiomas do mundo ocultista. Farei, de forma muito singela , sem adentrar na profundidade da aplicação de tais vocábulos (falta-me o mínimo de bagagem para isso), uma simplória correlação à cerimônia iniciática. Percebi que, após e durante uma iniciação, faz-se imperioso o CALAR. Internalizar, deixar o corpo e a mente absorver o que é dito e o mais importante, o que não é falado. Absorver e sorver, em pequenos goles, o manancial de energias, informações, permissões, OUTORGAS e tudo o mais que ainda não podemos conceber num processo iniciático.
Se, por um lado, tornou-se mais acessível e democrática a possibilidade de uma vivência de tal magnitude, por outro, e em decorrência da superficialidade que reina em nossas vidas, seja pela escassez do tempo, seja pelo acesso a um número infinito de informações e distrações, precisamos desenvolver a maturidade necessária para viver e honrar o processo em plenitude.
Não me refiro ao sigilo evidente quanto ao teor das práticas iniciáticas. Isso é o mínimo que se pode esperar de nós, nesses tempos loucos em que o celular nos chama a compartilhar, fotografar, marcar, curtir e mais um monte de verbos vazios de significado efetivo. Mas do silêncio interno. Deus nos fala na quietude. Dar sacralidade ao que é sagrado.
Quanto ao que vivi, eu me calo. Mas quero gritar, a plenos pulmões, que todos que estavam naquela sala foram tocados pela centelha do Divino. De igual forma. Nem mais, nem menos.
O fato de não sentir algo “transcendental” não significa que não fomos todos transformados e, de certa forma, marcados amorosamente. Se você estava aberto e consciente, você foi. Estamos falando de altas hierarquias espirituais, que nos confiaram um verdadeiro tesouro, que deve ser honrado, no mínimo. Será que, ao voltarmos para casa, temos realmente consciência do que ocorreu naquela sala da escola de Magia? Paramos, por alguns momentos, para absorver e ter a mínima compreensão do que nos foi concedido? Durante a aula, ouvimos efetivamente com muita atenção ao que o nosso mago iniciador nos disse? Apesar de elegante e suscinto nas palavras (característica inerente aos verdadeiros magos), foi incisivo ao afirmar que a cerimônia de iniciação está muito longe ser algo superficial ou mera ritualística. Que não temos ideia da magnitude do que ocorre naqueles momentos. E não temos mesmo.
Não se enganem. Apesar do clima descontraído, da curiosidade natural e um milhão de perguntas direcionadas sofregamente ao nosso mago, o Sagrado tocou a todos nós. Quer acredite, sinta ou não, isso de fato aconteceu. Já se calou e meditou sobre isso? Ou simplesmente voltou aos seus afazeres, achando equivocadamente ter somente cumprido mais uma etapa formal para ser um “Mago (a) Iniciado (a) nesse ou naquele Mistério”?
Vejam bem, meus colegas. E tudo o que foi dito, repetido, sobre o que é a verdadeira magia? Do caminho árduo e solitário de tornar-se um verdadeiro mago? Um mago de si mesmo? Das profundas questões filosóficas tão habilmente externadas de forma simples e acessível para que conseguíssemos entender o recado da mensagem? Temos uma vaga noção da responsabilidade e da seriedade do que nos recai sobre os ombros? E não estou falando de sua estola, agora adornada com mais uma fita colorida.
A bronca aqui é comigo mesmo, entendam bem. Cada um que pense, cale-se e analise a si próprio. Ah, como queria ter tudo gravado na memória! Mas como sei que posso esquecer, escrevo estas linhas como forma infantil de registrar aqueles momentos tão especiais.
Desta feita, vem a seguinte questão: o que faremos com essa outorga? Como iremos retribuir e colaborar como uma pequena peça dessa imensa engrenagem?
Por ora, tenhamos em mente a nossa profunda ignorância. Depois, devemos nos calar. Calar e Calar. E, somente depois, possamos “CALAR- QUERER- OUSAR- SABER”. Pense nisso. O tempo urge.
O NEÓFITO